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A SECA QUE SECA

A fadiga da vida se acentua com a chegada da seca. Geográfica ou psicológica, é o esvaecer daquilo de mais precioso e vital à existência humana: a água – e o amor. Água, vide o sofrimento no sertão. Amor, vide o que Lispector diz sobre ele ser “a desilusão do que se pensava que era amor. E não é prêmio por isso não envaidece”. De tempos em tempos, o homem, cansado e sedento, põe na mão do universo a mais incerta das decisões: ter de volta a sua fonte de sensatez, pois água e amor são puros sinais de sobriedade. A consciência de estar vivo, atrelada a uma animadora certeza do porquê continuar a viver – eis aí o fim e o começo da assustadora seca que seca. Essa estiagem, antes tão natural e imperceptível, deixou de ser cíclica e perdeu seu controle por mero descuidado humano. Sua inquebrantável presença absorve, agressivamente, as variáveis da água e do amor: tudo que há de bom no mundo perde o significado, e ao homem resta apenas frustração e desejo. Sem água o mundo se exting...